A ti, Leonor
Partiste da mesma forma como estavas na vida: de um forma discreta, quando menos esperávamos, sem que nos déssemos conta porque alimentávamos a esperança, de forma secreta, nos nossos corações. Desculpa não te fazer a vontade e continuar a vida como se não tivesses partido. Pedes-nos o impossível. Deixaste-nos um vazio terrível e um lugar impossível de preencher. As mensagens que fomos trocando nestes últimos tempos foram como criando a certeza de que ias vencer a luta a que te propuseste. Sempre animadora, sempre optimista, sempre discreta, com a palavra certa, no momento certo. És para mim exemplo de discrição. Alguém que sabe estar de uma forma inata. Angariaste aos poucos a minha admiração e era tua fã em muitos pequenos aspectos, mas que são eles mesmos que nos distinguem e tornam únicos.
Ontem tentei fazer-te a vontade e guardei as lágrimas no bolso, nos lábios pintei um sorriso, vesti os olhos de brilho, fiz tudo o que me era permitido dentro do sentimento de vazio e abandono com que cobria a alma e que teimava a vir ao de cima em muitos momentos daquela que seria uma tarde de festa. Desculpa se não consegui ser o que querias que tivesse sido. Desculpa o meu egoísmo em querer ter-te aqui, quando sei que abandonaste a luta quando o cansaço foi demasiado longe e tu quiseste descansar. Desculpa querer ter estado uma vez mais contigo hoje e não ter respeitado a tua vontade de, tal como sempre foste, ter uma morte discreta. Mas devias saber que isso era impossível. Deixaste marcas demasiado profundas na tua passagem pelas nossas vidas e exemplo disso foram os muitos alunos e antigos alunos que compareceram hoje num sentido último “até sempre”. Viste as lágrimas deles? Sei que ficarias contente ao saberes-te tão querida por eles
Já vem sendo lugar comum as pessoas despedirem-se dos seus amigos nos seus blogues pessoais. Foi assim com o Vasco, com o Gamito, com a Leonor… Até agora não percebia muito bem o porquê destes post’s. Hoje sei que é uma forma de dar vida àquilo que nos vai na alma e partilhar com as pessoas mais próximas o sentimento de perda que nos desvasta.
